LIBERTADORES: UMA NOITE INFELIZ
Nada para o Palmeiras vem fácil. Disso todo mundo já sabe.
Quando o assunto é Libertadores, então, a saga deste ano tem dado pistas quentíssimas de que a peleja continuará sendo cada vez mais dura.
No entanto, acho que as partidas já têm sido suficientemente suadas para que tenhamos um professor Pardal no comando do time, que só faz dificultar ainda mais o babado, e jogadores que entram em campo sem saber nem porquê.
Luxemburgo conseguiu fazer os experimentos mais bizarros e infelizes ever na partida de ontem, contra o Nacional.
Libertadores não é lugar e quartas de final não é hora de inventar moda, senhor Luxemburgo. "Pelo amor dos meus filhinhos", como diria o Silvio Luis.
Nosso querido técnico foi bem pouco efetivo, assobiou, chupou cana e procurou quaisquer outros culpados, como não poderia deixar de ser. Não bastasse, contagiou toda a equipe que, grosso modo, pareceu bem perdidinha e desorientada em campo ontem.
Eu até entendo a escalação inicialmente defensiva. Seguro morreu de velho e tudo mais... mas todo o resto, para mim, foi um surto psicótico de timming erradíssimo.
Enfim...
Obina estreou ainda no primeiro tempo, com alguns méritos. Ovacionado pela torcida palmeirense, o fofo teve total apoio pra mostrar a cara, vestir o manto e sair para a vida.
Achei bem bacana o gesto e a torcida, onde me incluo, certamente não se arrependeu. Obina foi decente.
Entretanto, não acho que tenha sido uma boa escolha colocá-lo tão cedo e no lugar do Souza. Eu o teria feito mais tarde, quando o jogo estivesse minimamente definido.
Souza joga muita bola e seria mais útil ao time naquele momento do que o Obina.
De qualquer forma, preciso dizer que o jogador que mais me incomodou nesse jogo foi o Keirrison.
Eu sou a primeira a defender o cara e continuo defendendo, mas hoje a apatia dele me incomodou. A impressão que eu tive é a de que ele não entra efetivamente em campo. Diferentemente de outros jogadores, ele não se incomodou nas ocasiões em que errou, por exemplo. A expressão dele permanece a mesma.
Na minha terra isso se chama falta de raça.
Verdade seja dita, o incômodo que o Keirrison me causou hoje foi só a materialização do que me incomodou na falta de rendimento técnico do time de um modo geral.
Mas... colocar o Jumar no lugar do Keirrison e deixar apenas o Obina, estreante, no ataque não dá, Luxa! Dá um tapa na minha cara logo que dói menos.
Outro questionamento que me tira do sério: onde estava a cabeça do Marcão no momento do gol do Nacional? Por que deixar tanto espaço para a criação do adversário?
Por outro lado, voltando ao quesito raça, alguma coisa boa haveria de acontecer. Diego Souza, uma vez mais, ganhou o meu respeito, que só vem aumentando nos últimos tempos. Pela vibração, pela vontade e pelo gol, óbvio.
Fato é que poder o Palmeiras pode, tanto que já mostrou que pode, nessa mesma competição.
Além disso, um motivo a mais para que o Nacional conheça o verdadeiro poder de superação do Palmeiras, a meu ver, é a declaração que foi dada por um jogador do time uruguaio logo após a partida. Juro que não vou lembrar quem era o bestinha, mas lembro perfeitamente que ele fez uma afirmação no sentido de que o Palmeiras joga aquém da média dos times brasileiros.
Se considerarmos que a imprensa uruguaia já vinha declarando que acha que o Palmeiras é o mais fraco dos quatro brasileiros classificados na Libertadores, já tenho, na minha concepção, que foi muita falta de auto estima da equipe palmeirense tropeçar deliberadamente nas próprias pernas em casa ontem.
Depois de tamanha luta, que trouxe o time até aqui, é admissível que se quebre o ritmo absoluto de superação?
Não! Mais do que nunca, a superação ininterrupta é a arma dos vencedores.
O verdadeiro Palmeiras, com raça determinação e "espírito de Libertadores" não entrou em campo contra o Nacional, mas espero e acredito vê-lo na partida de volta, em 17 de junho, jogando com a alma e o coração, como tem que ser.